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Se há algo que me consola é saber que os homens e mulheres de Deus, através de toda história, eram, exatamente, como você e eu.

Talvez, porque ao observar o que eles realizaram, em nome do Senhor, fiquemos iludidos, pensando, que, de alguma forma, eles eram diferentes de nós. Talvez, fossem construídos de um material mais resistente, quem sabe à prova de choque ou à prova de tribulação.

Mas, quando eu leio os Salmos, eu mergulho na alma desses personagens e os encontro questionando os mesmos questionamentos que eu me questiono; chorando as mesmas lágrimas que eu choro; se angustiando com as mesmas angústias com as quais eu me angustio. Por motivos diferentes, em circunstâncias diferentes, em tempos diferentes; mas, ao mesmo tempo, extremamente, semelhantes.

Não foi à toa que Tiago, escrevendo sua carta, fez questão de frisar que Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos; mas orou e Deus respondeu o seu clamor.

Não é lindo que Deus escolheu usar gente fraca e pequena como você e eu? Não é fantástico que Ele escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes, e as que não são para confundir as que se julgam ser alguma coisa?

Fico pensando em Asafe, quando no Salmo 77, diz: “Quando estou angustiado, busco o Senhor”. Você já experimentou fazer isso? De verdade?

A alma dele estava inconsolável, diz o texto, ou em outras palavras; a alma dele recusava ser consolada. Ele diz que estava tão inquieto, tão agitado, tão angustiado que nem mesmo conseguia falar. Tudo que ele conseguia pensar era em quem ele já tinha sido, mas não conseguia ser mais; em tudo que ele já havia feito, mas não conseguia fazer mais. Ou seja, ele estava vivendo da nostalgia; vivendo de folhear e refolhear o álbum de recordações.

Só que ele estava recordando as coisas partindo do pensamento errado. Ele pensava: Será que Deus nunca mais vai falar comigo como já falou um dia? Será que eu nunca mais vou sentir prazer em Deus como um dia já senti? Será que Deus nunca mais vai me mostrar Seu favor e bondade?

Ele achava que Deus não agia mais. Mas, a questão é que todas aquelas recordações já eram mais que uma prova que Deus agia em sua vida.

Quando a angústia chega, quando a depressão tenta se instalar na alma, quando a inquietação começa a se assenhorar do coração, a melhor coisa a fazer é trazer à memória os feitos do Senhor.

Tire os olhos de si mesmo e coloque a mente em Deus. Pense em quem Ele é. Pense em como Ele é grande. Lembre de como Ele já te ajudou tantas e tantas outras vezes. Lembre que você já caminhou por muitos outros vales, antes, e Ele te conduziu como um Pastor às suas ovelhas. Pense em como Ele te ama. Lembre que você não está sozinho nisso.

Há momentos na nossa caminhada com Deus que marcam a nossa vida. Talvez, a nossa conversão. Quem sabe, uma direção que recebemos de Deus, num momento crítico. Ou, talvez, um livramento. De algum modo, eu preciso trazer à minha mente os feitos do Senhor. Porque é assim que eu me encorajo nEle.

Já percebeu que toda vez que os salmistas sentiam-se abandonados por Deus, a cena do Mar Vermelho sendo aberto, volta à tona? Isso porque aquele foi um momento que marcou para sempre a vida daquele povo.

Gerações se passaram, mas eles tinham uma história. Nossos pais confiaram em Ti e Tu os livraste. O nosso Deus fez a Sua vereda pelo meio do mar; o Seu caminho pelas águas poderosas, e ninguém viu as Suas pegadas.

É um Deus que não precisa assinar Suas obras. Ele age por pura graça; por pura misericórdia e compaixão. É o Deus que nos socorre na hora da angústia.

Talvez, o problema continue aí, mas Deus tem um caminho para você atravessá-lo. Tem um jeito. Você pode não estar enxergando, mas Ele vai atravessar isso junto com você.

Quando nada parece estar acontecendo e os céus parecem mudos, não se desespere. É só impressão nossa. É a nossa alma nos pregando uma peça. Usando as palavras daquele hino antigo: Deus está aqui, tão certo quanto o ar que eu respiro; tão certo quanto o amanhã que se levanta; tão certo como eu te escrevo e podes me ler.

Eu sei que, às vezes, nós mergulhamos na nostalgia. Fazemos, exatamente, como Asafe, que disse: “fico a pensar nos dias que se foram, nos anos há muito passados; de noite recordo minhas canções. O meu coração medita e o meu espírito pergunta”. É normal. Faz parte do ser gente. Acontece com todo mundo.

Mas, o importante é lembrar que nada mudou. Deus ainda é o mesmo. E Ele está cuidando de você e de mim. Mesmo quando tudo parece parado e nada parece estar acontecendo. São as pequenas pausas da vida. Mas, a sinfonia não acabou aí. A pausa faz parte dela. É para embelezá-la. Só quer dizer que vai começar algo novo.

Lembre-se que quem está regendo a sinfonia da sua vida é o Maestro por excelência. E essa vai ser uma linda sinfonia, porque é Deus quem a está compondo.

Que essas palavras confortem o seu coração.

Pr. Paulo Cardoso – Igreja Encontro com a Vida – Tijuca (RJ)